quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sugestões de prendas para o Natal

   Com o que a Quinta dá, vou fazendo doces, com a ajuda da minha mãe. Entretanto comecei a organizar cabazes para oferecer algumas pessoas no Natal. Para além dos doces, juntei chá e frutos secos, também produtos da quinta.


   Depois, algumas das pessoas que receberam acharam que a ideia era boa e começaram-me a pedir para fazer cabazes mas para eles oferecerem.
   E pronto, agora faço cabazes. Como não faço muitos, pois a produção é limitada, tento sempre dar um toque especial a cada um. Dão muito trabalho, mas dá-me imenso gozo fazer estes mimos.


   Acho que são uma prenda útil, original, vistosa e pode ser personalizada conforme o gosto.
   Um dia irei fazer cabazes com outros produtos como azeite, queijo e enchidos ... com vinho da região. Quem sabe...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Quando uma árvore incomoda


   Temos no terreno vários diospiros. Era uma árvore que não conhecia, ainda acho que não conheço o suficiente mas já percebi que tem um grande sistema radicular, pois continuam a aparecer rebentos nos lugares mais inconvenientes.
  Os rebentos que aparecem nas caldeiras das outras árvores, são cortados, tal como aqueles que nascem perto do muro.
   No outro dia um vizinho veio nos dizer que estavam a nascer rebentos no alcatrão, do lado de fora do muro e no terreno do vizinho já havia uma "árvore" bem grande.
    Desta vez tínhamos de arranjar uma solução mais duradoura, para não haver danos maiores.
  Decidimos experimentar um processo que resultou em parte, da sabedoria local, outra parte de pesquisa da net.
  Depois de cortado o ramo, fizemos uns orificios no cepo e deitamos agua com sal e vinagre. Atenção que apenas devemos deitar a mistura nos orificios e no cimo, evitando que toque na terra.


   Esperamos algumas semanas para ver se funcionava e, por enquanto, podemos dizer que está a resultar. Se não tivéssemos aplicado a "mixórdia" já estavam a rebentar novos ladrões.
   A árvore "original" não parece ter sido afectada, mas também esta ainda longe deste rebento.
   Vamos fazendo o update.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Memórias e paladares

Os cheiros... os cheiros estão presentes nas minhas memorias de criança.
Um perfume, lembra-me a professora da primaria. Brincadeiras, jogos, correrias.
Um creme, lembra-me os dias de praia. Os mergulhos, os barulhos, os gelados.
Terra molhada da primeira chuvada, tem cheiro de escola, de preparação para o natal.
Compota de abóbora, lembra o frio, o sossego, a inocência, o conforto do lar.



De cada vez que fazemos (eu, a minha mãe e agora a minha filha mais velha) compota de abóbora, por momentos, volto aqueles dias de outono, volto a ser criança, a não ter deveres e afazeres, sinto a leveza de ser criança. Quando regresso, sinto-me feliz por ter estas recordações e por passa-las às minhas filhas, apesar de elas não perceberem hoje, o presente que estão a receber.
É por isso, e pelo processo de fabrico ser muito familiar, calmo e sem pressas que fazer compotas é um momento regenerador. Restabelece energias.

Na marmelada (branca) as recordações são outras. Quer seja acompanha por pão de centeio ou por queijo, lembro-me sempre do meu primeiro ano de universidade em Lisboa. Muitos livros estudei a comer marmelada em fatias de pão torrado.



Nessa altura os marmelos eram comprados ou oferecidos por algum conhecido, hoje tenho o luxo de os produzir eu, de os escolher e apanhar. Como não uso químicos, nem adubos, acho que a marmelada sabe-me ainda melhor. Vai um colherada?

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Se usarmos as sementes das nossas abóboras vamos obter o mesmo tipo de abóbora?

A resposta precisa que se percebam  alguns conceitos primeiro.

Há dois tipos de reprodução: a sexuada e a assexuada.

Reprodução assexuada

É a obtenção de um individuo sem recombinação de características. Ou seja será igual ao progenitor.
O novo individuo desenvolve-se a partir de uma parte do progenitor (folha, estaca….)
Em agricultura é muito usual usarmos uma estaca, quer por enraizamento desta, quer por enxertia num cavalo.

Exemplo: temos uma laranjeira que produz boas laranjas e sem caroços. Para reproduzir temos de ter um cavalo apropriado (laranjeira brava), corta-se um ramo para fazer um garfo e faz se uma enxertia. Vamos obter uma laranjeira igual a que retiramos o ramo.

Reprodução sexuada

A reprodução sexuada implica o envolvimento de dois indivíduos da mesma espécie, dando origem a um novo ser com uma nova combinação de características dos progenitores.

Exemplo:



Os descendestes serão parecidos com os progenitores mas não obrigatoriamente iguais. Podemos obter um descendente com características que não nos interessam (descendente 1), ou um descendente com características melhores que os progenitores (descendente 4). Também iremos obter descendentes iguais aos progenitores (descendentes 2 e 3). Não há certezas. Há probabilidades.
Estas probabilidades aumentam se cruzarmos dois progenitores idênticos.

Posto isto, voltamos a questão:

Se usamos as sementes do ano anterior, quer dizer que estamos num caso de reprodução sexuada. É um risco, podemos ter descendentes com características que não nos interessam.
Os produtores de semente, isolam as flores e cruzam machos e fêmeas com características muito parecidas, para obter sementes com características o mais idênticas possível aos pais.
Ora, nós não isolamos as flores (falo por mim), deixamos as expostas aos agentes polinizadores (abelhas). O que quer dizer que podemos receber nas nossas flores femininas, pólen de outras flores distantes (uma abelha pode percorrer 3 km). Se o vizinho também faz culturas, poderá ocorrer ainda mais cruzamentos "desconhecidos".

Ou seja, se quiser ter a certeza que vai ter um certo tipo de abóboras, ou isola as flores e faz a polinização manual ou é melhor comprar semente nova.

Isto dos cruzamentos também se aplica às sementes das árvores (maçãs, por exemplo). Nestes casos ainda é mais complicado devido a quantidade das flores.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Cartão de aplicador

Teoricamente, desde 26 de Novembro de 2015 todos os aplicadores de fitofarmacêuticos são obrigados a ter formação de aplicador. A partir dessa data apenas os aplicadores habilitados podem adquirir produtos fitofarmacêuticos.

Isto quer dizer que para adquirir aqueles produtos que servem para matar as ervas ou tratar as plantas (produtos fitofarmacêuticos) é preciso ter um cartão - cartão de aplicador.

Entretanto os legisladores começaram a perceber que não iria ser possível aos pequenos agricultores fazerem a formação atempadamente. Corria-se o risco de as culturas ficarem sem tratamentos durante uns meses.
Assim apareceu, em 30 de dezembro 2015, o decreto-lei nº254/2015 (aqui), criando um regime transitório. Este decreto dividiu a formação em dois módulos (4 horas e 25 horas). Para se continuar a adquirir os produtos fitofarmacêuticos (e aplica-los) até 31 de maio 2016 tem de se estar inscrito no primeiro módulo e conclui-lo até essa data. O segundo módulo tem de ser feito nos próximos dois anos. Podem ver como fica o conteúdo de cada modulo no despacho conjunto.

Passado o período transitório, para obter este cartão é necessário uma de 3 coisas:
- obter uma formação homologada pela DRAP da região, com pelo menos 35 horas (as cooperativas locais têm estas formações)
- ter mais de 65 anos e realizar uma prova de avaliação que dispensa a formação, se tiver avaliação positiva
-  ter formação superior ou de nível técnico - profissional, na área agrícola ou afins

Depois de terem uma destas condições podem requerer o cartão à DRAP da região, Se tiraram o curso numa cooperativa local, geralmente ajudam no processo.

Eu tirei o requerimento da internet aqui (DRAP LVT).

Para além dos cuidados com a preparação e aplicação dos produtos (que se aprende na formação), a partir de agora também há outras obrigações:
- manter o registo de compra e de aplicação
- armazenamento em local apropriado
- fazer inspecção aos equipamentos (pelo que percebi os pulverizadores pequenos, manuais estão excluídos)
Se não forem compridas, podem dar uma multa.

Encontrei uma lista de produtos para os quais não é necessário ter cartão de aplicador.
Podem ver aqui.

A Direcção Geral de Veterinária emitiu um esclarecimento sobre esta nova lei, onde explica que formação superior dá acesso a este cartão. Aqui.

Em resumo, o que antes seria recomendado fazer, agora é obrigatório. Acredito que haveria muita gente que usaria estes produtos sem saber bem o que estariam a fazer. Não sei se depois da formação vão ficar a saber.

Pratico agricultura biológica, sem extremismos. Sempre consigo comer alguma coisa mais natural. Por isso apenas necessito de adquirir óleo de verão e calda bordalesa para as situações extremas. O objectivo é não ter de aplicar nada, mas a dedicação que isso exige ainda não me é possível atingir.
Talvez um dia.

(artigo atualizado)

sábado, 2 de abril de 2016

Ter ou não ter ovelhas? - parte II

Continuando no tema das ovelhas... Vejam a primeira parte aqui.

A tosquia

A primeira tosquia foi uma tourada.
Combinamos com o senhor que nos ajuda, para vir à quinta tosquiador para fazer a tosquia. Da nossa parte apenas era necessário que as ovelhas estivessem no abrigo. Parecia fácil, mas não foi. Elas não queriam entrar para o abrigo. Tenho de explicar que o abrigo é uma casa de animais que já existia na quinta. Anexa ao abrigo existe um outro espaço que é cercado por uma rede, por todos os lados. O antigo dono criava faisões neste espaço.
Depois de muita luta, conseguimos que elas entrassem para o tal cercado.
Foi desde essa altura que começaram a usar o abrigo, mas apenas nos dias em que chove “canivetes”.
A tosquia tem de ser feita porque durante o verão elas ficam com muito calor. Fazem-se em maio, mais ou menos. Não pode ser muito tarde porque ainda demora a crescer de volta e no inverno faz falta. O tosquiador leva cerca de 3 euros por ovelha e leva a lã.

O nascimento dos gémeos.

Mais umas notas:

Pomar: quando não há flores nas árvores abrimos as portas e elas vão para o pomar. Comem as folhas das árvores e a erva. Se não tivermos cuidado também comem as plantas do jardim. É preciso ter cuidado com as árvores jovens, nessas até os ramos comem. Comem quase todo o tipo de árvores, gostam particularmente de amoreira, mas também comem medronheiro, laranjeiras, pereiras ...

Cães: tínhamos dois cães (2 labradores) quando as ovelhas chegaram. Cheiraram muito as ovelhas mas não permitimos mais "ações" naquele momento. Nunca mais as chatearam, acho que perceberam que não eram para brincar. Actualmente temos outro cão que parece ter uma tendência natural para as perseguir. Nesta altura apenas estamos a permitir que estejam no mesmo espaço quando estamos por perto, porque precisamos de ensinar a cadela nova quando deve parar.

Cercado: temos o terreno morado. As ovelhas têm muro para o lado de fora e cerca para o lado de dentro. Aqui na terra já ouvi historias de um grupo de cães vadios que atacou um pequeno rebanho que estava num cercado mais frágil. Entretanto o grupo de cães já não anda à solta. É preciso ter em conta a segurança dos animais e apostar numa boa cerca, principalmente se à noite os animais ficam na rua. Nem todos os cães são amistosos.

Estrume: uma vez que elas não usam o abrigo, não conseguimos fazer um monte de estrume, em vez disso o estrume é espalhado directamente pelo terreno. Por outro lado também não temos que o limpar. 

Sal: sei que alguns animais precisam lamber sal, como parte da alimentação. Aqui na zona não vejo ninguém a fornecer o sal. Se consultarmos a Internet só falam disso em sites brasileiros, o que pode ser uma particularidade de lá, que não seja necessária aqui. Para já não fornecemos, mas se souberem de alguma coisa, digam.

Cauda: há quem ate um cordel no inicio da cauda das ovelhas, bem apertado, quando os animais são pequenos e depois a cauda acaba por cair. Dizem que é por uma questão de higiene, assim não ficam com cauda suja quando evacuam. As nossas primeiras ovelhas estão com a cauda cortada, mas as mais recentes não. Para já vamos continuar a não cortar.

No geral, não nos arrependemos de ter as ovelhas, não têm dado problemas porque são poucas, porque têm comida e porque estão bem adaptadas a vida à “solta”. Ainda hoje as vimos a brincar, estavam felizes.

Acho que falei de tudo o que me lembrei, se tiverem alguma questão, digam.



domingo, 27 de março de 2016

Ter ou não ter ovelhas?

Cá estou eu de volta...

Estávamos fartos de cortar mato, demorava muito tempo, gastamos muita gasolina e era uma tarefa ingrata, contudo obrigatória por causa do perigo de incêndio.
Ponderamos arranjar umas ovelhas, mas não sabemos nada destes animais.

Decidimos arriscar! Na pior das hipóteses teríamos carne suficiente para um arraial. Já faz quase um ano que nos ofereceram 2 ovelhas e um carneiro. Foram oferecidos por um casal de citadinos que como nós também precisam de "robôs" aparadores de erva.

O casal possuía um pequeno rebanho habituado a viver ao ar livre. Apesar de terem um abrigo, raramente recolhiam e passavam o ano na rua. O que me leva a crer que são resistentes.

As nossas ovelhas
Duas fêmeas (mãe e filha) e um carneiro jovem. 



A mudança
Pedimos a um senhor aqui da terra para nos ajudar a mover os animais. As pernas dos animais foram atadas e um a um foram colocados numa caixa de um trator.
Não foi bonito mas os animais não estavam a ser magoados e o senhor tem muita experiência. Ainda hoje quando ouvem um trator fogem para a outra ponta do terreno.

A nova casa
Chegaram bem (também foram só 5 minutos de caminho).
Antes de serem soltas apararam-se os cascos com uma tesoura de podar.
Foram soltas num cercado feito por nós e sobre o qual falarei noutra altura. Montamos um sistema que fornece água automaticamente e já tínhamos um abrigo, para o caso de quererem recolher.
Como estavam habituadas à rua, demoraram muito tempo a descobrir o abrigo.
Nos primeiros tempos dávamos ramos à mão, para se habituarem a nossa presença.

A comida 
A ideia era comerem a erva. No Inverno há muita.
Mas depois chegou o verão já não havia erva verde. 
Dentro do cercado há algumas árvores que entretanto foram "podadas" por elas.
Adquirimos algum feno mas não ligaram muito. Contudo a restante quinta gera bastantes detritos, fruta, resto da horta, da cozinha, podas das árvores... para além disso o monte de compostagem está dentro do cercado. Elas comem tudo e assim conseguimos alimenta-las sem recurso a comidas extras. A única altura em que fornecemos mistura de cereais foi no fim da gravidez e no início do aleitamento de ambas as ovelhas.
O cercado tem cerca de 5 000 m2. Tem poucas árvores e não é regado. O resto da quinta tem a horta e o pomar com uma área aproximada de 3 000 m2.

A multiplicação
Pois é .... elas multiplicam-se. Com alguma frequência. Ambas as fêmeas vinham prenhas do carneiro dominante do outro rebanho. A mais velha abortou, passado um mês de chegar. Começamos por ouvir os seus balidos mas ela não nos deixava aproximar. Só lhe provocávamos mais stress. Deixamos andar até ela expelir. Ficamos com o receio se ela teria ficado bem, ainda pedimos a um vizinho que também tem ovelhas para vir ver, mas o senhor era da mesma opinião: elas sabem o que fazem.
E é verdade. Já voltou a ficar prenha, desta vez do nosso carneiro. E teve duas crias, um macho e uma fêmea. Nasceram muito pequenos, mal se punham em pé, não tínhamos grandes esperanças que sobrevivessem os dois. Estava muito frio e chuva, mesmo assim não foram para o abrigo. Fomos surpreendidos e os dois estão bem.

Facto curioso: quando nasceram os dois, a ovelha e as crias estavam longe da entrada do cercado, entramos para vermos se estavam bem, as outras ovelhas e o carneiro, desataram a correr e posicionaram-se entre nós e mãe com as crias. Ficamos ali num impasse, elas lá cederam e começaram a desviar-se. Não esperava este comportamento. Foi curioso.

A mais nova também vinha prenha, teve uma borrega, sem problemas. Foi uma excelente mãe, mesmo sendo inexperiente.
Como o objetivo do rebanho não é a produção de carne, a reprodução pode ser o maior problema de ter ovelhas. O nosso rebanho duplicou em 8 meses. Não podem ficar todos porque depois não temos comida, e com a compactação a terra começa a perder a capacidade de se regenerar. 
A solução pode ser o abate para consumo ou oferecer. Estes vão ser oferecidos, mas os próximos terão outro destino.
Antes de termos ovelhas, ofereceram-me um borrego vivo. Nessa altura pedimos ao senhor que nos ajudou na mudança para recolher o animal e combinar com outro senhor que faz o abate. Estes dois trabalhos ficaram em cerca de 20€.



Recolhi alguns dados para conhecer melhor os animais:

Maturidade sexual
5 - 7 meses (ideal: 18 meses)
Tempo de gestação
5 meses
Número de crias por parto
1 - 3
Número de partos por ano
1
Relação Carneiro:Ovelha
1:45
Intervalo entre os partos
10 meses
Aleitamento
3 a 6 meses
Idade máxima para reprodução
6 anos

Pelo que nos disseram geralmente os nascimentos ocorrem no fim do verão ou no início da primavera, mas na prática podem ocorrer em qualquer altura já que não controlamos o carneiro.
As vezes as ovelhas abandonam os filhos à nascença, porque as mães querem acompanhar o rebanho e se a cria não se levantar e andar, ficam para trás. Outras vezes, a mãe pode achar que a cria não é forte para sobreviver e abandona-a. Aliás aconteceu como uma ovelha do rebanho original, onde um carneiro nasceu com uma pata torta e a mãe deixou-o, não o amamentado. Depois teve de ser amamentado ao biberon.
Pessoalmente acho que estes casos de abandono serão em reduzido número se não houver situações stressantes para o rebanho (pouca comida, rebanho grande, outros perigos). 

Continuo noutro dia, ainda há mais assuntos relevantes.

Vejam a continuação deste tema aqui.